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Thought Trips

Viagens que passam pela mente. Em meio de reflexão, exposição, informação ou relato. São viagens, experiências e histórias.

Thought Trips

Viagens que passam pela mente. Em meio de reflexão, exposição, informação ou relato. São viagens, experiências e histórias.

12
Jun20

Corpo

Tiana

Já não me olho ao espelho. Talvez seja porque não quero ou por ter perdido o hábito. Não gosto da imagem que vejo. Imita cada movimento que faço e cada decisão que tomo. Se como mais, menos ou até mesmo nada. Se saio e me arrisco ou se me guardo e cuido. Comecei a pensar um pouco, diria mesmo deambular, sobre o assunto: não quero ver o que não me agrada mas porque é que não me tento agradar? Entendi, então, que a lógica que tinha anteriormente pensado – onde o corpo segue o que realizamos – era, na verdade, a solução. Não é fácil, admito, tomar ação. No entanto, e apesar de todos os condicionalismos possíveis enquanto humanos, o nosso corpo torna-se uma reflexão de nós mesmos. Marcas de quedas, cortes, vícios, trabalho, desleixo e a sua decoração. Tudo isto nos caracteriza. Aliás, a nossa visão sobre ele caracteriza-nos ainda mais. Acredito que não haja necessidade de nos idolatrarmos. Amarmos verdadeiramente o nosso corpo é um processo que passa essencialmente pela aceitação e conforto. O nosso ideal de corpo pode mesmo ser utópico em relação às nossas possibilidades, por isso penso que a chave seja conhecer e aceitar. O resto do processo é um caminho para moldar a nossa imagem com referência do que desejamos.

01
Jun20

A metamorfose - Kafka Franz

Tiana

                Raro é o estudante que não viu este título cruzar o seu caminho literário, no entanto, nem todos nos atrevemos – ou nos vimos dispostos – a ler as palavras de Kafka sobre Gregório. A história que nos é narrada com início na mudança que ocorreu a este personagem, ao acordar numa manhã que se destinava a ser regular como tantas outras, demonstra-nos a nova perspetiva que toma sobre a sua vida. Sem escolha ou aviso, Gregório vê-se dependente de quem antes dependia de si por conta do aspeto repulsivo em que acorda. A narrativa dá-nos a perceber os defeitos da sua família, assim como as suas intenções.

Após a leitura, que eu esperava ser mais pesada e distraída, entendi que o propósito da obra de Kafka para mim foi iluminar um pouco a visão que tinha sobre a relação entre o corpo e a mente. Quer a nível introspetivo ou social, ligamos facilmente a mente ao corpo que a hospeda. Tomo por mente todos os aspetos psicológicos, memórias, atitudes, decisões e ligações. Já o corpo é, obviamente, a nossa imagem física repleta de fatores variáveis ou não. É colocada a questão de quão razoável é esta ligação direta.

É instintivo – e diria até necessário – ao ser humano que analise primeiro o aspeto de alguém antes de tomar contacto com x mesmx. Não quero dizer em termos de discriminação geral. Dirijo-me, por exemplo, para casos em que esta “primeira impressão” serve como informação para a nossa segurança ou melhor preparação e abordagem. No entanto, Kafka coloca-nos para observação um caso onde o aspeto é alterado, ou seja, todos os personagens intervenientes na história conheciam Gregório e as suas qualidades antes da mudança de físico. Com o desenvolvimento do enredo, entendemos como até os pais e a própria irmã – tão querida pelo protagonista – se enchem de sentimentos como repulsa em consequência do aspeto que o seu familiar toma. É nítida a forma como o personagem passa de ser desejado naquela casa pelo seu trabalho para ser abominado e esquecido como filho e irmão. É aí, então, onde somos deixados pela questão colocada: por vezes, as emoções geradas pela perceção do físico eliminam o conhecimento e preocupação pela pessoa que está por trás daquele corpo. Isso acontecer, até que inconscientemente, não significa que seja aceitável ou lógico, por mais que nós o sejamos.

Talvez a narrativa vos pareça complexa, turva ou até exagerada, porém, com algumas luzes de pesquisa, conversa e ponderação sobre a leitura, torna-se clara a intenção do autor: demonstrar como o aspeto físico, por vezes, nos impede de ver e lembrar de quem está por trás do mesmo (que é bem mais importante).

Aconselho a consulta do seguinte site para uma reflexão mais profunda e abrangente: http://www.justificando.com/2016/02/16/o-que-a-metamorfose-de-kafka-pode-nos-ensinar-sobre-direitos-humanos/

29
Mai20

Conto de Fausto

Tiana

Fausto era um homem preso numa vida rotineira e monótona, preenchida de trabalhos entre traduções e edições numa secretária estreita perto da janela do escritório. Onde a luz chegava dispersa e filtrada pelo pó, Fausto organizava as letras para que fizessem sentido para quem as lesse.

Desejava, no entanto, um dia colocar em papel algumas palavras que fizessem sentido para si. Utilizava os seus intervalos do trabalho para fumar e as rugas foram tomando o seu rosto ao longo dos anos. Demonstravam não só a idade e saúde debilitada pelo fumo, mas também as experiências e sabedoria amarguradas que Fausto carregava consigo. Simples e modesto, era um homem que se limitava a ultrapassar os obstáculos que se aventuravam a pôr-se no seu caminho. Não deixava os seus sonhos existirem soltos e livres ao seu redor. Mantinha-os numa pequena lista, obviamente mental para não os permitir alcançar uma possibilidade ilusória. Muito realista, talvez até pessimista em fase de maior dificuldade, este amante de uma vida estável não projetava o seu futuro assente em desejos. Priorizava a família, o trabalho era para o seu sustento e considerava-se privilegiado por conseguir um emprego no qual se sentisse seguro e satisfeito.

Não falava muito e preservava uma distância de quem o rodeava para que os seus problemas não ganhassem mais dimensão do que o necessário. Na verdade, requeria poucos sons para se expressar, porém, ninguém se queixava por falta de explicação. Ocupava o primeiro lugar nas chamadas de emergência dos seus amigos e era a figura com que toda a gente contava. A sua vida terminou como desejava. Calma e humilde. Somente os mais importantes o rodeavam na hora de descanso eterno.

A reviravolta que não previa era [POR CONTINUAR]

04
Jan19

...

Tiana

People deserve to know our true self regardless of the consequences. If they don't like then it depends on them (on how they decide to deal with it) but we deserve peace of mind. We deserve to go out and not be afraid of the way we enjoy to exist

19
Nov18

...

Tiana

É a chuva que cai e as gotas que ficam. Deslizam pelo vidro na janela pela qual observo algo tão puro. Ou talvez tão tóxico, junto com as memórias que trás. Passam pela mente devagar e com saudade. Saudade de tanta felicidade, porém, com iguais recordações mergulhadas em dor.

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Such as inspiration, i pretend this project to be endless. Such as a book, i pretend this project to tell stories.

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